Conflito Rússia e Crimeia

“Se alguém não cuida dos seus parentes, e especialmente dos de sua própria família, negou a fé e pior que um descrente.” 1 Timóteo 5:8.     

Por IRMÃOS RUSSO

Localização Geográfica

A Crimeia é uma porção de terra (península) cercada pelos mares Negro e Azov e interligada à parte continental da Ucrânia pelo istmo de Perekop: atualmente, a famosa Ponte da Crimeia permite o acesso direto rodoviário e ferroviário com a região russa de Kuban, passando por cima do estreito de Kerch.

História Recente

O Império Russo anexou a península da Crimeia durante a Guerra Russo – Turca que durou 06 anos (1768 – 1774) e marcou o fim do domínio otomano sobre aquela região.

Após a Revolução Bolchevique, passou a ser República Autônoma da Crimeia, membro da URSS (União das Repúblicas Socialista Soviéticas); em 1954, o Premiê Nikita Kruchev, líder soviético, sucessor de Josef Stalin e ucraniano de nascimento, decidiu incorporar a Crimeia à República Socialista da Ucrânia. Em consequência, o idioma e a escrita ucranianas se juntaram aos correspondentes russos e aceitos como 2ª língua e alfabeto oficiais.

Com a dissolução da União Soviética em 1991, a Crimeia adquiriu o “status” de Província Autônoma da Ucrânia. A base militar de Sevastopol foi arrendada à Rússia, de modo que os navios e equipamentos russos foram autorizados a operar a partir da base, porém com um detalhe de extraordinária importância: a renovação da frota foi terminantemente proibida. O tratado de arrendamento, renovado a última vez em 2010, proporcionava ao governo ucraniano +/- 02 bilhões de dólares/ano.

No fatídico ano de 2014, o governo de Viktor Yanukovich foi derrubado por nacionalistas ucranianos com o apoio ostensivo dos E.U.A. Em resposta à ação intervencionista americana e também europeia, a Rússia invadiu militarmente a Crimeia, expulsou os militares ucranianos e promoveu um plebiscito com a opção de reintegração da península ao estado russo: segundo o governo russo, pelo menos 60% optou pela reintegração. Desde então, a Crimeia se tornou República integrante do estado russo, a cidade onde se situa a base militar, Sebastepol, cidade federada e as forças navais e aéreas russas foram enormemente ampliadas e renovadas. 

“O individualismo egoísta retira do homem a principal característica que fez a humanidade sobreviver: o sentimento de coletividade, a responsabilidade de uns para com os outros.”

Importância Geopolítica

“Porta – aviões insubmersível”, este é o adjetivo mais adequado quando se analisa a importância militar e econômica da península crimeiana, pelas razões abaixo discriminadas:

  • Permite os acessos aos Mares Negro e Azov, tanto por parte da Rússia como da  Ucrânia.

Através do Mar Negro, mar de águas quentes, ambos os países escoam boa parte das suas produções agrícolas para a Europa e/ou Turquia.

O Mar negro banha os seguintes países: Rússia, Ucrânia, Turquia, Geórgia, Romênia e Bulgária.

  • Conforme citado no parágrafo anterior, a Crimeia abriga a base aeronaval de Sebastepol, onde se encontram a frota naval e a força aérea russas do Mar Negro; no interior da península, o exército russo fixou sofisticados sistemas de mísseis que cobrem um raio de bem mais de 1000 km em torno do seu centro geográfico.

Se analisarmos as orientações político-militares dos países banhados pelo Mar Negro, veremos que ou são inimigos do estado russo, Ucrânia e Geórgia ou adversários, Turquia, Bulgária e Romênia (membros da OTAN). Nenhum país pode ser considerado amigo.

Por conseguinte, a Crimeia proporciona uma vantagem estratégica considerável sobre os adversários e inimigos mencionados, pois podem ser atingidos por mísseis de longo alcance e atacados por navios e aviões protegidos por mísseis antiaéreos e antinavios.

Importância Geopolítica

A Crimeia se estende pelo Mar Negro, que é vital para a saúde econômica dos países banhados por este mar, pois permite o transporte de pessoas e mercadorias entre eles. Seu tráfego marítimo é muito intenso sob o ponto de vista comercial, mas também turístico: as cidades de Istanbul (Turquia), Sebastopol e Ialta (Crimeia), atraem milhões de visitantes por ano.

Temos também o gasoduto “turkish stream” que fornece gás russo à Turquia e o porto ucraniano de Mariopol que, embora se situe à costa do Mar de Azov, depende da passagem pelo estreito de Kerch para o trânsito de seus navios com destino à Europa e Turquia, contornando a Crimeia pelo Mar Negro.

  1. Conclusões.

Quem domina militarmente a Crimeia domina o Mar Negro: na prática, embora a frota russa seja numericamente inferior `a turca, a presença bélica russa na península garante o domínio efetivo de Moscou sobre a regiões banhada pelos mares Negro e Azov. Domínio efetivo pode ser traduzido por maior poder de negociação sobre todos os países voltados para os mares citados: Ucrânia, Geórgia (ambos inimigos), Turquia, Bulgária e Romênia (membros da OTAN e, não podemos esquecer, a Romênia concordou com a instalação de bases de mísseis americanos no seu território).

O alto poder de negociação justifica os altíssimos custos associados com a “ocupação” russa da Crimeia, como os blocos anglo-saxão e europeu definem a presença militar de Moscou na península: gastos superelevados com projetos de infraestrutura (p. ex. a Ponte Rodoviária e Ferroviária da Crimeia, abastecimento de água e energia, aeroportos e rodovias), a máquina militar e o peso das sanções econômicas dos blocos acima citados contra a economia russa.

Eis aí um grande exemplo paradigmático dos sacrifícios que uma nação, que opta por dividir o poder com outras potências, é obrigada a suportar.

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