EUA, China e Taiwan: A Caminho da Guerra.

EUA, China e Taiwan: A Caminho da Guerra.

Salomão Campina.

Por Salomão Campina

O Oceano Pacifico vive um momento de completa insegurança e temor. A situação geopolítica na ilha de Taiwan vem se agravando dia após dia e as chances de tranquilidade estão sendo reduzidas com o avanço do PCC sobre a ilha.

 

Como foi apresentado e explicado pelo historiador de Harvard, Graham Allison. Na obra: “A Caminho da Guerra: Os Estados Unidos e a China Conseguirão Escapar da Armadilha de Tucídides?” O conflito entre essas duas superpotências tem escalado e tudo leva a acreditar que o embate é certo no futuro próximo.

Meses atrás foi publicada uma matéria de capa na revista The Economist com um estudo que leva a acreditar que logo haverá um conflito no Pacifico. Essa publicação foi de 1° de maio de 2021 e diz assim:

 

The United States is coming to fear that it may no longer be able to deter China from seizing Taiwan by force. Admiral Phil Davidson, who heads the Indo-Pacific Command, told Congress in March that he worried about China attacking Taiwan as soon as 2027.”

Tradução: A declaração do almirante Davidson leva a acreditar que a ilha de Taiwan hoje para o Pentágono significa um altíssimo custo de vidas, dinheiro e esforços de toda a nação americana para manter sua independência. Em outros termos, é um local já abandonado pelos EUA. 

Logo adiante na matéria:

War would be a catastrophe, and not only because of the bloodshed in Taiwan and the risk of escalation between two nuclear powers. One reason is economic. The island lies at the heart of the semiconductor industry. TSMC, the world’s most valuable chipmaker, etches 84% of the most advanced chips. Were production at TSMC to stop, so would the global electronics industry, at incalculable cost. The firm’s technology and know-how are perhaps a decade ahead of its rivals’, and it will take many years of work before either America or China can hope to catch up.”

Tradução: A guerra seria uma catástrofe, e não só por causa do derramamento de sangue em Taiwan e do risco de escalada entre duas potências nucleares. Uma razão é econômica. A ilha está no coração da indústria de semicondutores. A TSMC, a fabricante de chips mais valiosa do mundo, etches 84% dos chips mais avançados. A produção na TSMC parasse, assim como a indústria eletrônica global, a um custo incalculável. A tecnologia e o know-how da empresa estão talvez uma década à frente de seus rivais, e levará muitos anos de trabalho antes que a América ou a China possam esperar alcançar.

Esse enfrentamento direto entre o Deep State americano com o PCC, culminaria numa guerra total no Oceano Pacifico e depois ao redor do globo. Ninguém saberia até que ponto isso poderia chegar e como ficaria os continentes depois dessa luta titanica. 

Outro ponto levantado é que o fator econômico e tecnológico é decisivo nessa investida chinesa na ilha. Primeiro que isso resultaria na nova configuração que seria: China: um país e um sistema. Ou seja, o fim dos dois sistemas antagônicos. Segundo que isso daria para a China um salto tecnológico na indústria de chips. 

Outro momento importante da matéria é esse:

The bigger reason is that Taiwan is an arena for the rivalry between China and America. Although the United States is not treaty-bound to defend Taiwan, a Chinese assault would be a test of America’s military might and its diplomatic and political resolve. If the Seventh Fleet failed to turn up, China would overnight become the dominant power in Asia. America’s allies around the world would know that they could not count on it. Pax Americana would collapse.”

Tradução: A razão maior é que Taiwan é uma arena para a rivalidade entre a China e a América. Embora os Estados Unidos não estejam vinculados ao tratado para defender Taiwan, um ataque chinês seria um teste do poder militar americano e de sua determinação diplomática e política. Se a Sétima Frota não aparecesse, a China se tornaria da noite para o dia a potência dominante na Ásia. Os aliados americanos ao redor do mundo saberiam que não podiam contar com isso. Pax Americana entraria em colapso.

Empregar não só a Sétima Frota como as demais forças militares nessa arena, culminaria no esvaziamento de recursos e numa crise interna que culminaria no fim da Pax Americana. Isso leva a acreditar no novo fim de Roma. 

Mais adiante a matéria apresenta um dado importante e perigoso:

What has changed of late is America’s perception of a tipping-point in China’s cross-strait military build-up, 25 years in the making. The Chinese navy has launched 90 major ships and submarines in the past five years, four to five times as many as America has in the western Pacific. China builds over 100 advanced fighter planes each year; it has deployed space weapons and is bristling with precision missiles that can hit Taiwan, US Navy vessels and American bases in Japan, South Korea and Guam. In the war games that simulate a Chinese attack on Taiwan, America has started to lose.”

radução: O que mudou ultimamente é a percepção da América de um ponto de inflexão no acúmulo militar transversal da China, 25 anos em andamento. A marinha chinesa lançou 90 grandes navios e submarinos nos últimos cinco anos, quatro a cinco vezes mais do que a América tem no Pacífico Ocidental. A China constrói mais de 100 aviões de combate avançados por ano; implantou armas espaciais e está repleta de mísseis de precisão que podem atingir Taiwan, navios da Marinha dos EUA e bases americanas no Japão, Coreia do Sul e Guam. Nos jogos de guerra que simulam um ataque chinês em Taiwan, a América começou a perder.

Nas novas simulações de guerra entre EUA e China, a América começou a perder no campo militar para a nova força militar chinesa. Isso se deve, como foi mostrado, ao amplo investimento nas forças militares e tecnológicas.

Diante desse cenário sombrio, podemos concluir algumas coisas: I – Xi Jinping tem todo o tempo do mundo para planejar essa invasão e os EUA não contam com o tempo; II – a América de hoje tem um presidente e vice fracos e obtusos, que podem agravar o cenário já delicado; e III – se essa guerra começar, muitas coisas irão mudar internamente e externamente no Brasil, por isso é fundamental estar preparado para o pior.

Referencias: 

https://www.economist.com/leaders/2021/05/01/the-most-dangerous-place-on-earth

A Caminho da Guerra: Os Estados Unidos e a China Conseguirão Escapar da Armadilha de Tucídides?

 

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