O Bolsonarismo e os seus Desafios.

Crônica Política por Wilson Jordão Filho

*Os textos do colunista não expressam, necessariamente, a opinião dos Irmãos Russo.

Por Wilson Jordão Filho

Uma sociedade que precisa buscar rápido a sua maturidade

O Brasil navega em águas agitadas hoje, mas isso é bom. Aquela calmaria secular, aparvalhada e tropical, herdada cultural e geograficamente dos povos que nos formaram, predominava tanto nas elites quanto na massa.

Por isso quando não regredíamos, andávamos de lado. Cantávamos o hino nacional, gabávamonos de nossas potencialidades e belezas naturais, que nos deviam destinar um majestoso futuro.

Porém, no fundo achávamos que não éramos grande coisa como povinho periférico, atrasado, provinciano, cercado de vizinhos pobres diabos por todos os lados.

Circunscritos assim às mazelas do continente latino americano, onde quase nada de vanguarda, brilho, força e pujança, costuma ocorrer, contentávamo-nos em ser apenas mais um povo excolonizado, submisso a uma realidade mundial dominada por uma dúzia de desenvolvidos que vem mantendo uma hegemonia e dominação há séculos.
Aqueles poucos cidadãos que tinham lucidez para perceber caminhos novos para o Brasil, não tinham voz na sociedade, ou eram asfixiados. A maioria desistia de véspera ao ver o imenso mar de obscurantismo e apatia cívica que imperava nesta terra de Santa Cruz.

Todas as correntes ideológicas políticas que aqui surgiram padeceram do mesmo mal, o subdesenvolvimento generalizado, aquele que traz o subdesenvolvimento cívico, patriótico, cultural, social, econômico e outros. Elas foram surgindo, trazidas como novidades de fora, ao sabor da correnteza, e eram entendidas e adaptadas à nossa realidade aos tapas. Mas todas tinham em comum a premissa de que isso aqui era um país grande, mas não um grande país. E
como tal todas as suas estratégias políticas partiam dessa referência. Daí que a ideia predominante era e continuava sendo participar do poder em grupos dominantes dentro de um país fadado globalmente a não dar certo. Nesta linha de raciocínio eclodiram movimentos de “vamos à forra, salve-se quem puder” das massas, ou movimentos de “oba-oba, estamos aí para nos locupletar” de elites e seus servos ou admiradores habituais. Por isso toda e qualquer psique
nacional já surgia derrotada, embotada por mentes encardidas pelo subdesenvolvimento das consciências. Ninguém, acreditava no tal país do futuro, um futuro que sempre nos fugia meio embaçado e utópico.

Assim, os grupos agiam para raspar o fundo do tacho (entenda-se a riqueza nacional) e obter as vantagens oportunistas, focados só em se dar bem no poder, sempre naquela visão predadora de dominar o quintal dentro um imenso pardieiro tropical subdesenvolvido. Bem-estar nacional? Só existia da boca para fora. E assim o pardieiro tropical continuava intacto, seja pela ação das elites constituindo castas e cartéis, seja pela ação das massas constituindo o peleguismo, e as lideranças ambiciosos, espúrias e oportunistas em sindicatos, ONGs, ligas, movimentos sociais e currais eleitorais. Em comum, havia sempre a ideia de se sobressair socialmente, via clube de opressores, num país que seria eternamente formado por oprimidos obscuros.

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O reconhecimento do mau legado e a reação por um lugar ao sol

E ISSO DUROU, DUROU E DUROU, com alguns solavancos tentativos no passado, por conta da pobreza moral, cultural, educacional, e intelectual daqueles que tentaram ser seus protagonistas. E SÓ AGORA nos apareceu uma luz no final do túnel, que precisa ser veementemente explorada. Ela resultou de uma feliz coincidência de diversos fatores conjuminados, que permitiram a eclosão de uma zona livre de pensamento cívico e político na imensa classe média. Ela começou débil, por volta de 2012, a ocupar o seu tempo com alguns assuntos de importância cívica e política, a nível nacional, e não apenas continuar a permanecer só na sua vizinhança para guarnecer melhor osseus interesses pessoais ou grupais consumistas.

E ISSO SE CHAMA INÍCIO DE MATURIDADE POLÍTICA. O BOLSONARISMO surgiu aleatoriamente como filho desta tendência que veio para ficar. A conscientização da importância da liberdade democrática, embora num Estado laico, deve estar subordinada aos valores e tradição dos cidadãos brasileiros majoritariamente cristãos. Isso tenderá a prevalecer. Haverá muita luta para consertar os pavorosos desvios gerados pelo nocivo materialismo dialético, tenha ele o nome que tiver, socialismo, comunismo ou social democracia.

O USO DO BOLSONARISMO PARA SE LIBERTAR E SE EMANCIPAR

O que é afinal esse Bolsonarismo? O Bolsonarismo não é um movimento político ideológico de fomentado pela extrema direita ou direita. É sim, um movimento social que veio das bases da classe média brasileira, o qual surgiu meio nebuloso, mas à medida que a poeira se assentou percebeu-se uma tripla missão; 

a) a moralização e o aumento de eficácia da administração pública governamental em todas as instâncias, 

b) a retomada do progresso e bem-estar social pela probidade e qualidade administrativa dos homens públicos, tão depauperados pelos governos anteriores, 

c) a manutenção dos valores morais e éticos da tradição cristã na sociedade brasileira que obriga a uma luta veemente contra o socialismo ateu latino-americano.


Ele nasceu de um combate firme e permanente por todos aqueles que se reuniram contra as esquerdas brasileiras, visando construir um novo Brasil patriótico e dotado de autoestima, através da retomada do lema Ordem e Progresso. Por estar centrado num novo líder político – Jair Bolsonaro – que refletiu a oportunidade e os anseios do momento, recebeu esse nome. As esquerdas habitualmente incapazes desordenaram a nação e inibiram a prosperidade nacional por 25 anos. Aplicaram todos os truques, manobras e toda a sorte de ilícitos, num ambicioso projeto de poder, e por isso foram sendo expostas à sociedade paulatinamente, por conta das denúncias diversas de escândalos financeiros, aparelhamentos com ameaças à democracia, corrupção da tradição e cultura brasileiras, etc. 

Evidenciaram-se centenas de atividades espúrias que promoviam desvios de finalidade dos recursos de orçamentos públicos. Fosse para compras de poder, fosse para aparelhamentos socializantes da máquina pública e universidades com objetivos ideológicos marxistas, fosse para alimentar ambições pessoais e de grupos aderentes com fraudes, corrupção e outros males beneficiando oligarquias, e prejudicando o cidadão comum.


A alavancagem desse pernicioso projeto de poder lesou o erário público e empobreceu a nação, fazendo o Brasil sofrer uma sucessão de décadas perdidas. Conspiraram para corromper a cultura e tradição, as instituições, a moral e a ética prevalecentes, por conta de um aparelhamento maligno criado pelo comunista castrista ex-deputado José Dirceu (PT) na linha Gramsciana. Praticamente todos os poderes e entidades governamentais foram atingidos por essa “besta”, porque a ideia era destruir o legado e o patriotismo brasileiro e abrir as portas a um socialismo totalitário dentro da linha cubana. O poder executivo, legislativo e o judiciário foram atingidos e contaminados, porém felizmente as forças armadas não o foram. 

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A perda da paciência da classe média

Depois de aguentar dois mandatos do tucano FHC e dois mandatos do petista Lula, a parte mais lúcida da classe média começou a reagir por descontentamento, na altura do 3º mandato do governo petista com Dilma. A divulgação dos processos e condenações judiciais do Mensalão entre 2014 e 2015 foram a gota d´água que faltava para expor as esquerdas à execração ública, tendo como carro chefe os notáveis do PT tornados criminosos. A reação de insatisfação, desordenada e sem objetivos claros, cresceu e recebeu adesões de gente mais esclarecida, que foi delineando melhor os contornos de uma mobilização popular em grande escala contra toda a sorte de desatinos que se cometia em Brasília. Por ser justamente orientada pelos segmentos mais lúcidos e conservadores que se fundamentam na moral e na ética cristãs., as esquerdas tentaram rotulá-la de extrema direita,
 nazista, fascista, e outros adjetivos para desqualificá-la, mas não o conseguiram.

Na verdade, essa colossal reação chegou bem tardia, porque a sociedade foi engambelada pelos tucanos (PSDB é social- democracia a favor do socialismo) de FCH, com o seu falso jeito de um culto cavaleiro libertador, que na verdade queria abrir as portas para um socialismo latino-americano. A insurreição contra a ideologia socialista começou a se levantar no Sul e Sudeste do país, sendo relevante se destacar a ação da tal República de Curitiba que ocorreu ao longo do julgamento do ex-presidente Lula. Independentemente dos processos judiciais lá bem-sucedidos (Petrolão) que condenaram dezenas de malfeitores, Curitiba serviu de estopim do grande movimento nacional contra as esquerdas sendo a pá de cal para a desmoralização do PT e seus comparsas que forma a esquerda raivosa mais radical. Ela gerou um efeito em cascata nas elites apáticas, que acabaram dizendo um “basta”. Esse efeito culminou com a formação de grupos interessados em problemas políticos relevantes nacionais, quase todos no Sul e Sudeste. As esquerdas ligadas ao PT foram então solidamente demonizadas, vistas como verdadeiros leprosos morais (PSOL, PCdoB e Rede). Para a dinamização dessa reação em cadeia, muito contribuiu a Internet com os seus recursos e provedores, que proporcionaram o fortalecimento de grupos nas redes sociais como Facebook e Twitter. Os debates e trocas de informações passaram a ser desenvolvidos numa celeridade impressionante, adiantando-se aos próprios
fatos que levavam um certo tempo para virem à tona pela indolente mídia nacional.

No âmbito eleitoral as esquerdas vinham perdendo terreno por conta de uma insatisfação geral do eleitor, desde 2014. Elas foram agravadas merecidamente pela sua culpabilidade nos escândalos financeiros sucessivos de pilhagem ao Tesouro nacional. Tais pilhagens decorreram de usos ilícitos e criminosos, que culminaram com o impeachment da então presidente Dilma Roussef por questões de infração ao regime do orçamento e contas públicas nacionais sendo taxada de praticante de improbidade.

A grande reação cívica iniciada contra o esquerdismo e a corrupção

– Em 2018, era hora de eleições gerais. O surgimento de um grande movimento reacionista contra as esquerdas necessitava de um nome presidenciável para ocupar o poder executivo nacional. Os candidatos alternativos em sua maioria deixavam a desejar. O liberalismo e o social liberalismo, democracia cristã, engatinhavam no Brasil, etc. e afinal são eles que compõem a direita e centro direita, e lá não haviam grandes nomes. Ainda se organizavam num Brasil outrora tomado pela demagogia popular esquerdista, a qual só então começara a se desmanchar depois de mais de 20 anos governando. A principal candidata potencial a uma reação pela direita seria a senadora Ana Amélia (RS) por seu desempenho corajoso no Senado contra os atos de improbidade, imoralidade e ilicitude dos governos esquerdistas recentes. Contudo, chegado o momento de decidir, ela se acovardou e decepcionou os seus apoiadores e agentes eleitorais (inclusive eu), tendo se contentado com uma candidatura a vice-presidência na chapa de um político de centro esquerda, o ex-governador de São Paulo e tucano José Alkmin Teles (o chuchu). Nos escores virtuais que eu comandei por 15 dias nas redes sociais Ana Amélia, na altura, tinha 82% das preferências da nossa contra esquerda e Bolsonaro só tinha 18%, isso em meados de junho de 2018. A surpresa da sua “fuga” nos levou a dar uma grande virada. Ana Amélia acabou assim cometendo o maior erro de sua carreira, e hoje septuagenária avançada e sem mandato, sumiu politicamente. Se contentou com um cargo honorifico do R.G. do Sul em Brasília, para supostamente cuidar dos interesses do estado.

A contra esquerda teve assim um verdadeiro “Trabalho de Hércules” para substituir às pressas Ana Amélia por Jair Bolsonaro, e descartar os comportados e apáticos, senador Álvaro Dias (salto alto) e o empresário João Amoedo (pega de leve). Preferiu-se um nome de combate que aguentasse o tranco para mudar o país, embora tivesse um passado pouco notável na política. Entre junho e outubro de 2018 houve uma correria danada, mas o ambiente estava altamente favorável, pois todos queriam mudar. Precisavam de um nome unificado e ele apareceu em Bolsonaro porque simplesmente não havia outras opções. Ele se candidatou pelo maior partido de direita, o PSL, que era fraco, sem espaço de propaganda no horário de TSE. Foi um sucesso enorme e levantou ou PSL no Congresso que pulou de 12º para 3º mais forte, a partir de sua eleição em 2018.

Mas já se sabia que cerca de 70% da população do Sul, Sudeste, e Centro Oeste votaria maciçamente na contra esquerda, e ela foi simbolizada pela união em torno de Bolsonaro, que esvaziou automaticamente Dias e Amoedo, e concentrou a reação eleitoral a seu favor através do PSL. E isso se confirmou nas urnas posteriormente.

A análise do poderio político partidário

Se analisarmos o poderio político, considerando a União, Estados e Municípios, as esquerdas possuiriam hoje apenas uns 30% do eleitorado, mas se analisarmos somente a União ali elas ainda chegam perto dos 40%. É necessário que sofram uma tremenda rejeição nas eleições para 2022 para perderem esse refúgio onde agem de maneira teatral e demagógica a serviços de interesses sinistros e impatrióticos.

O governo Bolsonaro uma vez empossado, mudou os critérios de governabilidade. Seu ministério foi formado por gente técnica e gerencialmente qualificada, independente da politicagem. Mais adiante começou a ser chamada de Nova República (após Bolsonaro). O presidente não aderiu aos velhos esquemas de distribuição de quotas de poder com dinheiro público, nem se baseou no apadrinhamento político servindo aos velhos caciques dos partidos para ter governabilidade.

Esses critérios hediondos prevaleceram por décadas no país, prejudicando o progresso, e são hoje referidos a Velha República (antes de Bolsonaro). Era uma espúria aliança das esquerdas com aquela parte mais podre do centro para acessar e manter o poder. E por isso o governo Bolsonaro pagou pesado por essa inovação, sofrendo uma série de escaramuças, espionagens, traições e conspirações dos opositores que continuam até a data.

Mas Bolsonaro, em contra partida ampliou as reações da sociedade brasileira cansada dos desperdícios, imoralidades, e crimes de colarinho branco. Eles eram cometidos aos borbotões pelas alianças governistas no Planalto, todas empenhadas em dilapidar o patrimônio público e o tesouro. Ao fechar a porta do cofre e partir para cima de todas as mordomias e irregularidades que encontrou, Bolsonaro provocou um desespero na maior parte do Congresso e dos Supremos Tribunais em Brasília, os quais agiam impunemente solidários como verdadeiros marajás. As tetas começaram a secar rápido.

O exercício regular de análise do poderio político partidário na composição do Congresso e no contexto estadual e municipal só começou a ser feito a partir de 2018 e ainda é muito pouco divulgado, porque não existe interesse nos poderes constituídos em mostrar seus bastidores. O hermetismo tem sido uma regra de operação deles, que só agora começa a ser quebrada dando transparência à sociedade civil. A posição atual no Congresso é apresentada a seguir.

Desesperada, desarticulada, e fazendo uma oposição intempestiva e temperamental, a Velha República (esquerdas + centro podre) decidiu por três caminhos; a) torpedear no Congresso ou via Supremo todas as ações do governo Bolsonaro e seus aliados para diluir sua autoridade e esvaziar sua reputação, b) controlar com dinheiro farto (vindo de onde?) todos os principais
órgãos de comunicação social e institutos de pesquisa para deformar os fatos e opiniões e se posicionar radicalmente contra Bolsonaro em tudo, visando um impeachment, c) politizar o STF para deixar de cumprir o seu papel constitucional e se dedicar a ser uma 4ª instância jurídica diretamente manipulada pela oposição ao governo. E por isso o Brasil despreparado passou a sofrer as consequências de uma gigantesca guerra de informação.

 

O crescimento do Bolsonarismo em cima do declínio da Velha República

O governo, mesmo recebendo uma saraivada de golpes baixos, chegava ao final de 2019 em uma posição relativamente favorável, a qual se refletiu numa tentativa de verdadeiro massacre por parte dos partidos mais relevantes da Velha República (esquerdas e parte do centrão). O resultado foi nefasto para eles com impacto de enorme declínio nas eleições municipais de 2020. O PT só fez 179 prefeitos em 5.779 prefeituras (3%), PCdoB apenas 45, e PSOL ridículos 5. A direita e centro direita passaram a ter 36% do poderio total (federal, estadual e municipal), o centro 34%, e a esquerda com centro esquerda caíram para 30%.

Mas com a chegada da pandemia do Covid-19 ao Brasil, a partir de março de 2020 todos os cenários nacionais e internacionais foram progressivamente alterados. A sociedade e poderes públicos, em caráter emergencial, passaram a priorizar todos os assuntos ligados à pandemia, deixando os demais em segundo plano. Entretanto começaram-se batalhas em paralelo que focaram uma ditadura política imposta pelo poder judiciário, uma tentativa de manter as urnas eletrônicas inauditáveis, altamente suspeitas de abrigarem fraudes eleitorais, e uma tentativa ridícula de se encontrar fraudes e irregularidades na gestão Bolsonaro numa CPI ridícula.

O BOLSONARISMO ALAVACANDO O BRASIL EM PLENO COVID-19, E AS SUAS PROJEÇÕES PÓS COVID-19.

Primeiro ano do Presidente Jair M. Bolsonaro no Governo

O ano de 2019 transcorreu positivamente para Bolsonaro, que tentava pouco a pouco, arrumar a casa e moralizar a administração pública. Ela foi encontrada em estado caótico junto, e tem sido dura a recuperação do Tesouro nacional pilhado sucessivamente pela Velha República. A baixa na taxa de juros Selic, o corte de verbas públicas nos desperdícios, a triagem nos absurdos do INSS e das estatais, a prensa nos Correios e na Lei Rouanet, etc. etc. começaram a surtir efeito nas mãos do genial Paulo Guedes. E começou a existir dinheiro para as obras de infraestrutura atrasadíssimas via o fantástico Tarcísio, e ações sociais mais relevantes via a corajosa Tamares. O Brasil começava a mudar sua face e era admirado no exterior, declaradamente até por alguns países como EUA e Israel. Mas a luta interna era grande. Demolir a mega estrutura arcaica e nociva da Velha República era dose.


Havia uma resistência de trincheira centrada no tripé MDB/PSDB/PT que juntos haviam dominado 6 governos sucessivos. Pensavam em se apossar de um poder permanente, e instalar um governo socialista bolivariano articulado pelo luciferiano José Dirceu com as premissas do Foro de São Paulo. Uma aposta fúnebre, permanente e totalitária, na mediocridade tropical latino-americana nativa. Exterminar isso não era fácil. As esquerdas divididas entre raivosas (PT, PSOL, PCdoB, Rede) e engomadas (PDT e PSB) se articulavam, mas ao mesmo tempo se digladiavam. Não conseguindo atingir Bolsonaro pensavam em seus candidatos para 2022, e as lutas ficavam entre o fraco Haddad, e o horroroso Ciro, enquanto o PSB depois que perdera Eduardo Campos ficara sem trunfos, perdido num limbo. Alguns tucanos e emedebistas pensaram em uma terceira via, mas o assunto logo esmoreceu tamanha a fraqueza eleitoral dos potenciais candidatos.

E nesse desespero coletivo de ficarem mais quatro anos sem tetas (2022-2026) recorreram aquilo que poderia ser um desastre gigantesco para o Brasil – exumar um cadáver político usando seus trunfos maléficos no STF – o que iniciaram em meados de 2019 ocorrendo a libertação forjada do presidiário em novembro de 2019. Então com parte do dinheiro do butim que haviam recolhido do dinheiro público em décadas resolveram sob todas as formas montar um circo que viabilizasse Lula novamente como candidato a presidência. E começaram as artimanhas todas juntas, falsas pesquisas eleitorais, ocultação dos sucessos do governo Bolsonaro, agressões no Congresso para se gerar CPIs do Covid-19, calúnias e difamações, e tudo o mais que tem se visto.

Meios para enfrentar o complô organizado para derrotar o Bolsonarismo

O único fato
relevante que poderia ajudar o Bolsonarismo a se contrapor a esse tsunami ignominioso era costurar uma aliança política com 3 partidos fortes emergentes, São aqueles mais alinhados com o neoliberalismo e social liberalismo, os quais antes da chegada de Bolsonaro ao governo já queriam desalojar esse tripé esquerdista do poder. Trata-se de uma frente de centro/centro direita que envolve o PSD/PP/PL. Esses partidos que raramente aparecem na mídia têm por si só, hoje, um poderio político expressivo. Vamos aqui comparar; no momento atual o tripé da Velha República ostenta um poderio de 27% no Congresso Nacional e 28% no total do país (incluindo governos estaduais e prefeituras). Enquanto isso este tripé mais liberal que poderia aderir a Nova República ostenta um poderio de 24% no Congresso Nacional, mas está sobejamente na frente no total do país com 37% (o tal que inclui governos de estado e prefeituras), bem à frente da Velha República que continua felizmente caindo. Nas eleições de
2022 espera-se nova queda nesse tripé da Velha, e uma subida no tripé mais liberal, e assim esse último deve ficar majoritário no Congresso.

Não fosse o desmantelamento interno ocorrido no PSL, que inchou a partir de 2018, uma aliança bem costurada do PSL com este tripé garantiria um colossal chute no traseiro da Velha República. Mas por conta das vicissitudes ocorridas, o despejo político desta casta de políticos ultrapassados vai precisar ser parido, sendo costurado a duras penas e sob muitos riscos. É importante evitar que no meio dos predadores habituais que existam no PSD/PP/PL venham os lobos e coiotes (apetites permanentes grandes e vorazes de caçadores), e negociar no máximo algo com as raposinhas e chacais (apetites pequenos e frugais de carniceiros). É como receber um arroz com resíduos precisando de peneiramento e lavagem para limpar antes de ir para a panela, mas ao menos vem sem as pedras que podem nos quebrar os dentes.

Isso porque o Bolsonarismo tem hoje um pé dentro e outro fora do PSL, e precisa de alianças diversas para prosperar. Depois que o principal cacique do PSL – Bebbiano – faleceu, este partido age como um barco meio à deriva. Houve traições e defecções de oportunistas amplamente divulgadas nas redes sociais. E afinal Bolsonaro hoje é um presidente sem filiação partidária. E nesse estado de coisas chegamos ao final de 2019 quando eclodiu a pandemia dentro do Brasil importada por viajantes, e fez se mudar tudo

O uso do flagelo do Covid-19 contra o Pres. Jair M. Bolsonaro

O flagelo do Covid-19 foi politizado em 2020 pelas oposições políticas em diversos países para encontrar falhas nos governistas. A oportunidade de usá-lo como argumento poderoso para as inépcias ou falhas dos governos vicejou num setor onde a lama é a regra, como forma de ascenderem ao poder, Brasil incluso nisso. As recessões nacionais e mundial que o Covid-19 provocou foram um campo aberto à especulação midiática e política do mal estar, pelo desemprego, desamparo, e mortes numa sociedade tornada presunçosa e hedonista pelo mundo afora. Essa sociedade moderna pós industrial, orgulhosa de si mesma, não estava preparada para esta imensa pancada generalizada. Faltava organização, logística, hospitais, leitos, terapias, remédios, vacinas e frequentemente vergonha na cara das autoridades de plantão. O mundo teve de ficar de joelhos e se acostumar ao catastrofismo das más notícias, e as reações foram as mais variadas na sociedade (confusão, pânico, revolta, perplexidade, etc.).

No caso brasileiro tentou-se atingir a reputação e popularidade de Bolsonaro e sua equipe com acusações de todos os tipos, tentando atribuir-lhe a exclusiva responsabilidade pelas mortes pelo Covid-19, outorgando-lhe a pecha de genocida. O impacto em sua popularidade eleitoral declinou um pouco no segundo semestre de 2020, fomentado pela parte mais raivosa da esquerda, e os medidores mais confiáveis lhe alertaram para uma queda de 10% a 15% de sua popularidade entre os Bolsonaristas menos convictos. Este declínio foi interrompido quando começou a campanha de vacinação em massa por volta de março 2021. E já em julho de 2021 com o sucesso relativo desta campanha e a retomada do desenvolvimento via crescimento do PIB, o Bolsonarismo voltou a crescer e retornou ao ponto em que estava no início da pandemia. Só que bem mais lucido e experiente, como um gato escaldado

A reação eficaz do Bolsonarismo contra os seus adversários

Numa reação política natural, como contrapartida, Bolsonaro saiu da clausura do seu gabinete palaciano, e passou a agir nas ruas como líder político com deslocamentos e visitas a muitas cidades nos diversos estados, seja para inaugurar obras, seja para prestigiar eventos, ou outras razões. Sua aproximação ao povo trouxe-lhe resultados fantasticamente favoráveis tornando-se gradativamente um mito nacional, para lamurias das esquerdas e da corruptolândia.


A resposta daquela parcela da sociedade mais esclarecida (que forma a opinião pública) veio logo com essa demonstração de apreço e carinho de Bolsonaro pelo povo. Visto como honesto, integro, bom pai de família e esposo, transparente, e coerente em sua conduta, e mais, cercado de gente respeitável no governo, ele foi conquistando o coração da maioria do eleitorado. Daí surgiram movimentos espontâneos de solidariedade a ele por todo o Brasil, num imenso rodízio de carreatas, motoceatas e passeatas, sempre realizadas pelo povo verde e amarelo em verdadeiras multidões impressionantes. A mídia nacional ignorava, mas as redes sociais, as TVs digitais “online” e os youtubers, e principalmente a mídia internacional, divulgavam sistematicamente. 

O declínio por exaustão e decepção das esquerdas no Brasil

Em paralelo ocorria a inibição das esquerdas nas ruas porquanto sua desmoralização pela corrupção a deixara sem audiência popular e militantes. Lula, a Peste libertada, indeciso pelo risco de passar vexame no resultado eleitoral dizia nos bastidores aos seus congêneres que só se candidataria se as urnas continuassem inauditáveis. Aqui entra uma iniciativa meio bizarra de Ciro que não queria a Peste disputando. A partir de meados de 2020 começou a bombardear tanto Bolsonaro quanto a Peste, almejando ter espaço. Ocorre que Ciro não conseguindo unanimidade das esquerdas, ao perceber que perderia feio num mano a mano com Bolsonaro, aderiu pateticamente a tese de impeachment por qualquer razão, para tentar esse espaço sombrio esquerdopata sem riscos de perder para uma direita liderada por Bolsonaro. Mas os seus assessores e consultores têm lhe avisado que os 58% a 60% dos eleitores Bolsonaristas convictos não votariam na esquerda e poderia surgir um candidato de última hora, correndo por fora, para ficar com os votos de Bolsonaro. Ciro sabe que está num jogo de azar, portanto, azar o dele

O atual confronto político das forças na sociedade

E estamos assim hoje num verdadeiro sacolejo de forças políticas e da sociedade, para se comporem alianças de conveniência para as eleições gerais de 2022. Não se trata apenas da Presidência, mas também do Congresso, onde se renovarão 100% dos mandatos na Câmara, e 33% no Senado.

Estas forças podem ser grosso modo analisadas assim (só para ilustração sem pretensão de se acertar na mosca):

a) Favoráveis a Bolsonaro (setores agrícolas e pecuários – agronegócio, indústrias de alimentos e bebidas, pequenas e médias empresas de suprimentos e serviços de alta tecnologia, consumidores urbanos classe média, youtubers, internautas, parte – uns 60% – dos grandes conglomerados nacionais, empresas públicas e autarquias estaduais do Sul, Sudeste, e Centro Oeste, etc.)


b) Desfavoráveis a Bolsonaro (sindicatos e cooperativas de trabalhadores braçais, setor financeiro bancário, estatais de óleo e energia, oligarquias políticas, empreiteiros de obras, ONGs e Fundações, setor artístico, parte – uns 40% – dos grandes conglomerados nacionais, indústria midiática e de comunicação social, empresas públicas e autarquias estaduais do Nordeste, etc.)


c) Neutros a Bolsonaro (BNDES, grandes conglomerados multinacionais, bolsa de valores, grandes empresas atacadistas, grandes empresas de market place, grandes cadeias de lojas de departamento, empresas públicas e autarquias estaduais do Norte, etc.),

Os prognósticos para 2022

O período Pós-Covid 19 está previsto ser a partir de janeiro de 2022. Pandemia bastante abatida (menos de 10% do pico) e mortes idem (menos de 5% do pico) por conta da vacinação. O Brasil descolado desse flagelo já exibe agora um crescimento de
PIB estimado em 5,3% em 2021 e pelo menos 2% em 2022. Isso significa retorno à riqueza nacional e aumento do emprega e da renda do trabalhador. Teoricamente pela retomada do desenvolvimento 2022 é um ano eleitoralmente favorável a Bolsonaro e a oposição da Velha República sabe disso. Temos de aguardar os resultados da aprovação ou não de PLs e PECs chaves para as eleições próximas, e a conclusão prática das ações desta ambígua e ridícula CPI. Os papéis do presidente de Câmara Artur Lira (PP), mais corajoso, e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM) mais acanhado, serão altamente relevantes para Bolsonaro caminhar numa pista mais regular ou esburacada.

O ponto fraco do Bolsonarismo é não ter ainda conseguido formar um partido, e Bolsonaro encontrar resistências para filiação a outro partido por conta de tudo que ocorreu com sua candidatura pelo PSL, quando o partido inicialmente decolou e depois mergulhou e dissensões internas. Isso desagrada aos caciques, donos do partido. Única janela vislumbrada por ora seria o PTB, porque o seu dono Roberto Jefferson está claramente pronunciado como um Bolsonarista de carteirinha. Com seus méritos e deméritos, afinal foi o homem que demoliu José Dirceu, o tal do mensalão, e o tirou do trono.

O Bolsonarismo precisa solucionar a falta de um partido, a necessidade de costurar alianças e fazer coalisões para as eleições gerais de 2022 com o tripé direitista, e alguns partidos viáveis para diálogo que não fazem parte (ou quase) do complô da Velha República (DEM, Cidadania, Republicanos e PSC por exemplo). Mas o DEM pode decidir entrar com candidato próprio (o exibido Luiz Henrique Mandetta ou o apagado Rodrigo Pacheco), ter uma votação fraca e no segundo turno aderir a Bolsonaro.

Em termos eleitorais as últimas pesquisas sérias datam de Maio 2021. Depois começou aquela corrupção e venda de falsas pesquisas de opinião pública para as eleições de 2022, que tem chocado os Bolsonaristas. Nos meus estudos comparativos Bolsonaro continua com 35% a 38% do eleitorado num primeiro turno com mais 5 candidatos (Lula, Ciro, Doria, Pacheco, Amoedo) e 60% dos votos válidos no 2º turno. Deve-se lembrar que entre votos nulos e brancos ainda se espera um percentual elevado de 30% do eleitorado. Qualquer adulteração forte destes percentuais deverá constituir uma fraude grosseira, daí a luta pela aprovação da PEC das urnas auditáveis. O BRASIL TORTO ENDIREITOU E NÃO QUER VOLTAR ATRÁS.  

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